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Camila Farani

A mulher por trás da “tubarão” do Shark Tank Brasil


Aos 19 anos, Camila Farani sonhava em ser aeromoça. Em Vila Isabel, zona norte do Rio, onde a menina nasceu e cresceu, ela tinha uma vizinha que trabalhava como comissária de bordo. Na época, parecia ser o emprego mais glamouroso que ela poderia ter. Sonhando com as alturas, mas com os pés firmes no chão e o olhar atento ao redor, ainda cedo Camila alçou grandes voos.


Entre a menina de Vila Isabel e a tubarão do Shark Tank, a viagem foi longa. Farani perdeu o pai aos 4 anos e, para sustentar a família, sua mãe decidiu abrir uma cafeteria. Na “Tabaco Café”, a menina ajudava a família em todas as funções e, aos 21 anos, resolveu ousar: propôs à sua mãe que se conseguisse aumentar em 30% as vendas em um mês, receberia uma participação na empresa. Alcançou 28%, com a introdução do Iced Coffee. Não atingiu a meta, mas conquistou a sociedade. Depois que a filha tornou-se também sócia, o negócio familiar cresceu e, cinco anos, depois já tinha 4 unidades.


Aos 26 anos, já era diretora executiva da área de alimentação de uma das principais marcas de produtos naturais do país e estava prestes a decolar como investidora. Sua história com investimentos começou quando um amigo convidou Camila para um “pitch”, onde pequenos empreendedores apresentam suas ideias de negócio para investidores:


Eu escolhi ser investidora a partir de uma situação que me marcou muito. Uma vez eu estava assistindo a um pitch de uma mulher para uma bancada masculina e nenhum dos investidores se conectou com a dor dela. A verdade é que eles não enxergaram potencial na proposta, porque não fazia parte do universo deles”, explica.

Acabou se tornando a única mulher reconhecida como a melhor Investidora-Anjo no Startup Awards e reconhecida pela Association for Private Capital Investment in Latin America (Lavca) como uma das principais investidoras da America Latina por quatro anos consecutivos.


Essa história ajuda a ilustrar algumas das dificuldades que Camila Farani passou durante sua jornada no mundo empresarial, dominado por homens brancos, muitas vezes herdeiros de suas próprias empresas:


Quando você está no mundo dos negócios e pertence a uma minoria, você tem que, além de apresentar resultados, provar que tem capacidade e autoridade. Mas eu acredito que quanto mais uma empresa é plural, mais ela vai conseguir gerar soluções criativas para todos, potencializar a inovação e se tornar mais lucrativa”.


Camila já investiu mais de R$ 40 milhões com co-investidores, pools de investimentos, além da sua própria holding, em cerca de 45 empresas, gerando um ecossistema que movimenta mais de R$ 3,7 bilhões por ano e emprega mais de 15 mil pessoas.


Apesar de ter conquistado as alturas, não esquece suas origens e não quer que essa caminhada seja solitária:


“Tenho orgulho de contar com diversas empresas lideradas por mulheres no portfólio. Uma delas é a Wakanda Educação Empreendedora, negócio que traduz conteúdos do empreendedorismo tradicional para a linguagem informal e regional”, conta a empresária.


A ligação de Camila Farani com suas origens não se dá somente na esfera da grande empresária. Por trás das grandes cifras e da história de sucesso, há ainda uma mulher ligada à família, “mãe” de 5 cachorros, vascaína, que adora gastronomia e fora de horário comercial dispensa blazers e sapatos fechados:


Eu gosto de ficar de chinelo, ter tempo de qualidade com a minha namorada, me divertir na piscina com meus cachorros, meditar… No fim das contas, ainda sou a mesma Camila de 20 anos atrás”, afirma Farani.


Presidente da G2 Capital, boutique de investimento em tecnologia, Camila foi eleita uma das 500 pessoas mais influentes da América Latina pela Bloomberg Línea. É membro do Conselho de Administração do PicPay e da Tem Saúde, e do Conselho de Marketing e Growth da NuvemShop. Também é sócia e investidora da Play9.



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